quarta-feira, 11 de abril de 2012

[Resenha] Estilhaça-me - Tahereh Mafi


Estilhaça-me
Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Gênero: Ficção, distopia
Páginas: 304
“Juliette não toca alguém há exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens estão na cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma cela. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette seja mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisam agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.”
Eu estava tão ansiosa para ler esse livro, que quase o comprei em inglês mesmo, antes de saber que ele seria publicado pela editora Novo Conceito. Aliás, embora esse não seja o meu gênero favorito, eu tenho que admitir que ainda estou no pique distópico provocado pela série dos Jogos Vorazes e, talvez por causa disso, eu tenha me animado ainda mais com a história e o seu enredo. Isso sem contar que absolutamente todo mundo estava - e ainda está! - despejando elogios atrás de elogios sobre ele. Não deu outra, recebi meu kit da parceria e comecei a lê-lo o quanto antes.

Juliette está trancafiada há 264 dias. Nem mesmo seus pais fizeram questão de se opor quando o Restabelecimento decidiu que ela era perigosa demais para viver com os outros. Agora, ela não sabe o que está acontecendo, de que forma o mundo regrediu progrediu com a tomada do poder pelo Restabelecimento, ou como as pessoas que costumava conhecer estão vivendo. Tudo o que tem são quatro paredes, uma janela grossa demais para que se tenha uma visão decente do lado de fora, um caderno surrado e uma caneta quebrada. Juliette apenas espera pela insanidade... Ou pela morte.

Porém, depois de muito tempo sem ao menos se lembrar de como se faz para falar, uma tremenda reviravolta toma conta da sua vida. Juliette é requisitada para se tornar uma aliada do Restabelecimento. Eles querem usar o seu poder para impor ainda mais o seu domínio. Agora, ela tem que decidir se aceita a vida luxuosa e poderosa que lhe é oferecida, tornando-se a arma deles, ou se decide virar uma guerreira, dona de sua própria vida.

A narrativa do livro é simplesmente maravilhosa! Sem sombra de dúvidas uma das melhores escritas que eu já li. A forma como a autora desenvolveu a protagonista foi incrível... Com uma escrita em primeira pessoa, ela narra como se caminhasse na perigosa e tênue linha entre a sanidade e a loucura, como se, justamente, não soubesse lidar com as palavras, por estar tempo demais presa e privada de usá-las. E ela está sempre mudando de ideia sobre o que falar, como se não soubesse mais como se expressar. Caramba, é perfeito! Você se sente exatamente como Juliette, todas as suas emoções, confusões, dúvidas e desconfianças... Tudo é passado de uma forma quase inocente, como se o leitor tentasse entender aquilo que a própria protagonista não consegue. A narrativa foi, sem dúvidas, o ponto forte do livro.

Sobre a distopia. Bem, nesse primeiro livro não deu para ter muita ideia do que aconteceu/está acontecendo. Há apenas pequenas passagens em que a protagonista se lembra de pedaços de seu passado, ou quando alguém lhe informa um pouco sobre a atual situação do mundo. Fora isso, não há informações concretas de como tudo funciona. É um tipo de mistério bem vindo, na verdade, como se o leitor tivesse que ler as entrelinhas, observar as nuances da narrativa para captar aquilo que esta errado, para perceber os detalhes de um mundo que lentamente regride e que agora está nas mãos de tiranos.

Eu sei que a distopia desenvolvida nesse livro é, de certa forma, padrão. “O mundo se destrói diante de sua própria tecnologia, pessoas morrem, alguém com mãos de ferro toma o poder e tenta organizar a sociedade com uma política rígida e baseada no medo.” Mas, veja bem, não é esse o ponto principal do livro, acredito eu. Há outras coisas a levarem em conta ao analisá-lo e, acredite em mim, ele é bem completo nesse sentido. Em nenhum momento senti falta de algum detalhe, ou pensei que ela poderia ter desenvolvido melhor determinado acontecimento. Em todas as suas medidas e proporções, o livro foi eximiamente escrito.

Os personagens são muito bem bolados. Admito que achei algumas personalidades (Vide Kenji) um tanto quanto exageradas, mas, de uma forma muito boa, isso serviu para que eu alimentasse um certo carinho. Eu já estava um pouco cansada das “personalidades padrões” que costumo ler nos livros atuais e fiquei feliz por ver pessoas diferentes, com suas particularidades, os seus vícios e seus exageros. Não me taquem pedras, mas esse detalhe fez com que um dos meus personagens favoritos fosse justamente o tão perturbado malvado Warner. Ele, de certa forma, carrega consigo uma espécie de loucura, uma agonia profunda e cruelmente sedenta que o faz parecer extremamente humano. Passível de erros.

Estilhaça-me foi uma leitura surpreendente, um dos melhores lançamentos da Novo Conceito esse ano, com certeza. Mal posso esperar pelo segundo volume da série – que será lançada em fevereiro de 2013 nos Estados Unidos. Super recomendado!


Avaliação:
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 

Avaliação Geral:
 

Um comentário:

  1. Adorei o livro e o estilo de narração!
    Não cheguei a achar o Kenji exagerado, na verdade achei ele um bom retrato da realidade. Mas também não fui muito com a cara dele no começo, foi só no final que ele me conquistou! :)
    Haha, também adorei o Warner! No fundo sou meio doente mental, então já era de se esperar. XD

    Beijos!

    ResponderExcluir