quarta-feira, 18 de abril de 2012

[Resenha] A Revolução dos Bichos - George Orwell

A Revolução dos Bichos
George Orwell
Companhia das Letras
Gênero: Sátira
Páginas: 120 (149 com posfácio, etc)
"Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo."
Ganhei o livro do meu namorado, mas já estava louca para lê-lo fazia algum tempo. George Orwell é bem conhecido por outro título, 1984, de onde saiu o nome do Big Brother. Mas ai são outros 500.
Ele viveu durante a Segunda Guerra Mundial e esse livro foi lançado em 1945, como uma CLARA sátira à URSS Comunista. Na sua publicação gerou grande desconforto no local de origem, a Inglaterra, que até então estava na Guerra e era aliada dos soviéticos. 

Muito embora mais tarde ele tenha sido usado, durante a Guerra Fria, como conto de aviso para impedir o avanço comunista sobre o ocidente. E mesmo se tratando de uma crítica ao regime, isso desagradou o Orwell. E eu posso imaginar o porque.

Antes de uma sátira de Stalin e seus camaradas, o livro é uma crítica a qualquer forma de manipulação política, bem como a sinopse fala. É uma crítica à propaganda política e à qualquer regime totalitário como um todo. E por isso, quando ele é usado como uma espécie de propaganda anti-comunista, mas não necessariamente como anti-totalitarista/imperialista, não me estranha que isso o tenha desagradado. 

Orwell era jornalista e sua escrita é bastante marcada pelo estilo. Ele relata de forma rápida e sucinta os anos de uma revolução feita pelos bichos da Granja do Sol que estavam cansados da exploração do homem. Mas não sem deixar aquele rastro de ironia e crítica por toda a narrativa. O discurso é rápido e descreve brevemente a tomada do poder, a transição e o auge de uma Granja, em que quem passa a mandar são os bichos. Em particular, os porcos. Tidos como os animais mais inteligentes, todos concordam que eles é quem têm que governar. E claro, eles próprios concordam em carregar "tamanho fardo".

É fantástico. Simplesmente fantástico como Orwell escreveu tão bem uma fábula em pleno século XX. Mas não uma fábula qualquer, onde porcos, cães, cavalos e galinhas falam. E sim uma fábula política onde todos estes animais falam, fazem política e fazem um retrato da sociedade e o que ela poderia tornar-se. Aliás, o que ela já foi um dia e pode voltar a ser. 

São 120 páginas de uma prosa rápida e inteligente. Mas que deixa um sorriso amarelo e um desconforto a medida que você vai lendo. A Revolução dos Bichos toca na ferida do inconsciente popular. Não há como lê-lo e não pensar em como e de que as tramas sociais são feitas.

Não vou me detalhar nos personagens, já que são muitos. E mesmo que seja uma narração em terceira pessoa e não ter um personagem principais, todos eles são muito bem feitos. Com certeza aquele que me chamou mais a atenção foi o burro Benjamin. As poucas vezes que fala, sempre é pra proferir algo importante e ele é extremamente lúcido com toda a situação.

A edição da Companhia das Letras, como não poderia deixar de ser, está impecável em toda a sua simplicidade e a capa é muito bonita. Esse livro já está entre os melhores livros da vida, com certeza.


Avaliação:
Acabamento do livro: 
História: 
Andamento: 
Desfecho: 

Avaliação Geral:
 

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